Duro que nem pedra ou mole que nem gelatina? Qual a sua consistência?
Conhecimento que nasce da vivência
Você acha que isso é apenas uma questão estética?
No texto anterior, conversamos sobre atividade física (aqui). Agora quero chamar atenção para um ponto que sustenta tudo isso.
Para entender melhor essa ideia de “firmeza”, precisamos conversar sobre o conceito de tônus.
O que a biologia nos mostra?
A palavra tônus vem do latim, derivada do grego, com o significado de tensão ou tom — originalmente utilizada em contexto musical — e foi incorporada à fisiologia por Charles Scott Sherrington, que a relacionou ao tecido muscular.
Na prática, o conceito de tônus está ligado ao nível de tensão permanente que existe na matéria viva.
Durante muito tempo, essa tensão foi atribuída basicamente ao músculo. Mas pesquisas mais recentes, como as do cirurgião Jean Claude Guimberteau, mostraram que todos os componentes que nos constituem apresentam um certo nível de tensão. Essa tensão é o que mantém forma e função mesmo em estado de repouso — o que, tecnicamente, chamamos de morfofuncionalidade.
O que isso nos mostra?
Que essa competência tensional é sistêmica. Não é apenas muscular. Todos os órgãos, ossos, pele, tendões, vísceras — tudo depende de um nível adequado de tensão para funcionar bem ao longo da vida.
Quando esse nível cai, surgem sinais claros.
Flacidez é um deles. E não estamos falando apenas de aparência. Estamos falando de um nível de tensão aquém do ideal, que pode atingir toda a estrutura: coração, pulmões, intestino, fígado, cérebro, ossos, pele.
Então surge a pergunta prática.
Como manter essa competência?
A eficiência tensional é mantida pela intensidade presente na movimentação, especialmente quando há deslocamento e quando lidamos com carga. E carga não significa academia.
O primeiro peso com o qual precisamos lidar é o nosso próprio peso, sob a resistência do campo gravitacional do planeta.
Faz sentido? É com ele que começamos a negociar toda vez que nos levantamos, caminhamos ou subimos escadas, por exemplo.
Quando nos deslocamos, quando carregamos algo, quando mudamos nossa posição no espaço, estamos estimulando renovação e remodelamento constante dos tecidos.

Nenhum produto farmacêutico desencadeia esse fenômeno com a mesma eficiência.
Mesmo a regeneração após uma lesão depende do movimento. Sem ele, o tecido cicatricial tende a se organizar de forma menos resiliente.
A boa notícia é que os avanços na biologia do envelhecimento mostram algo animador: a maneira como nos movimentamos, o ambiente em que nos movemos e o grau de complexidade presente nas movimentações interferem diretamente na qualidade da renovação da matéria viva. Sim, nós nos renovamos. E, dependendo das escolhas que fazemos, podemos desacelerar efeitos indesejáveis do envelhecimento.
O que isso significa na prática?
Significa aderir de forma concreta ao conceito de longevidade saudável — aquele que busca estratégias para manter autonomia e independência ao longo do tempo.
A Proposta Educativa Menegatti vem desenvolvendo e pesquisando estratégias que possam ser inseridas no dia a dia de forma realista e acessível à população idosa.
Modificamos radicalmente a maneira de ver e aplicar o conceito de atividade física e exercício, pois nossa experiência mostra que grande parte das propostas atuais são limitadas quando falamos de renovação e remodelamento, especialmente considerando as mudanças que acompanham o envelhecimento.
Não se trata apenas de atividades intelectuais para manutenção da capacidade cognitiva. Utilizamos movimentos mais complexos, em diferentes contextos, integrando deslocamento, desafio e adaptação.
Seguimos aprofundando esses aspectos nos próximos textos.
SEGUIMOS JUNTOS.











