Flexão, extensão e nossa relação com a gravidade ao longo da vida

José Augusto Menegatti • 2 de março de 2026

Conhecimento que nasce da vivência

No texto anterior (aqui), falamos sobre tônus e sobre aquilo que sustenta forma e função na matéria viva. Agora quero olhar para como essa organização se expressa no movimento ao longo da vida.


Nossa relação com a gravidade acompanha toda a nossa existência. Para nos mantermos de pé e nos deslocarmos, precisamos gerar tensão que se transforma em força para lidar com a ação constante do campo gravitacional.


Durante o desenvolvimento humano, iniciamos a vida em um padrão predominantemente flexor. Primeiro no ambiente intrauterino, onde o espaço naturalmente nos organiza em flexão. Após o nascimento, começa gradualmente a conquista da capacidade extensora.


Quando o bebê é colocado de barriga para baixo, por exemplo, precisa levantar a cabeça. Para isso, ativa as costas, gerando uma ação em extensão fundamental para sustentar o peso da cabeça contra a gravidade. Rastejar, engatinhar e, finalmente, ficar de pé são etapas dessa construção da capacidade extensora.


O ser humano é o animal que mais tempo leva para alcançar a postura ereta. Precisamos nos organizar sobre dois pontos de apoio. Essa capacidade extensora não é apenas postural. Ela é estrutural. Os principais órgãos estão localizados no tronco e dependem de um alinhamento adequado em relação à gravidade para funcionar com eficiência.


No entanto, o estilo de vida contemporâneo favorece excessivamente a flexão. Passamos horas sentados, inclinados sobre celulares, computadores, bicicletas ou atividades de trabalho. Esse predomínio flexor reaparece na adolescência, se consolida na vida adulta e se acentua no envelhecimento, comprometendo a eficiência extensora e, consequentemente, a funcionalidade.

A proposta educativa Menegatti busca preservar e desenvolver essa capacidade extensora ao longo da vida, equilibrando as ações dentro da dinâmica flexão-extensão.


Até mesmo atividades amplamente recomendadas, como a caminhada, precisam de atenção. Muitas pessoas caminham com o tronco inclinado à frente, reforçando o padrão flexor e gerando sobrecarga lombar. A consequência costuma ser dor e, muitas vezes, abandono da prática. Uma caminhada eficiente exige organização. Exige perceber como estamos lidando com a gravidade a cada passo. Pequenos ajustes fazem diferença no longo prazo.


Manter viva a capacidade extensora é sustentar organização, funcionalidade e autonomia ao longo da vida.

Seguimos aprofundando esses aspectos nos próximos textos. Para saber mais sobre este assunto acesse nosso o episódio  "Gravidade: o que te sustenta?" no podcast do Menegatti Digital - doses de conhecimento.



SEGUIMOS JUNTOS.

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- Tenho dor nos joelhos, como posso fazer atividade de impacto? - Se atividade de impacto é boa por que tantas pessoas que correm têm problemas no joelho? Bem, em primeiro lugar é preciso ressaltar que quando uma pessoa quer realizar qualquer atividade é essencial que as articulações estejam organizadas, alinhadas e em sincronia com as outras articulações de forma a preservar a integridade e a ordem (morfo)estrutural. Seja ao sentar, levantar, subir e descer escadas, andar, correr, ficar em pé ou mesmo ao pedalar, ou remar! Em segundo lugar existe a questão da progressão na realização das atividades. Pense bem, uma pessoa que não caminha não pode começar a caminhar por uma hora, uma pessoa que nunca correu não pode começar a correr por meia hora seguida, ou seja, comece aos poucos. ORGANIZAÇÃO (MORFO)ESTRUTURAL E HÁBITOS POSTURAIS Vejamos: uma articulação que não apresenta um alinhamento adequado, como os joelhos em ”X” (joelhos em valgo), não permite uma distribuição adequada na pressão nos meniscos medial e lateral (de dentro e de fora), além de este desalinhamento trazer consequências para outras articulações, como tornozelo, quadril e coluna. Agora imagine o que acontece quando essa pessoa caminha por uma hora a uma média de 100 passos/minuto, ou seja, 6.000 passos com esse desalinhamento! Cada vez que ela senta e levanta, sobe e desce escadas, fica em pé, essa distribuição de pressão nos meniscos está acontecendo de maneira ineficiente e provocando desgaste estrutural. Outra situação que está se tornando muito comum na atualidade é a hiperextensão dos joelhos. Pessoas que estendem os joelhos além da vertical (posição neutra da articulação), geralmente o fazem mais por hábito postural do que uma questão genética. Esta atitude pode dar origem a dores na lombar e cervical. É POSSÍVEL MELHORAR O ALINHAMENTO ARTICULAR? Sim, claro, desde que a pessoa compreenda como está organizada, encontre uma melhor organização e alinhamento articular, sem compensações em outras articulações. Certamente é preciso informações para realizar isto de maneira eficiente, e a orientação de um profissional competente pode ajudar muito, além de manter atenção constante aos hábitos posturais prejudiciais e realizar movimentações educativas com frequência. MOVIMENTOS EDUCATIVOS Estar em pé