Flexão, extensão e nossa relação com a gravidade ao longo da vida
Conhecimento que nasce da vivência
No texto anterior (aqui), falamos sobre tônus e sobre aquilo que sustenta forma e função na matéria viva. Agora quero olhar para como essa organização se expressa no movimento ao longo da vida.
Nossa relação com a gravidade acompanha toda a nossa existência. Para nos mantermos de pé e nos deslocarmos, precisamos gerar tensão que se transforma em força para lidar com a ação constante do campo gravitacional.
Durante o desenvolvimento humano, iniciamos a vida em um padrão predominantemente flexor. Primeiro no ambiente intrauterino, onde o espaço naturalmente nos organiza em flexão. Após o nascimento, começa gradualmente a conquista da capacidade extensora.
Quando o bebê é colocado de barriga para baixo, por exemplo, precisa levantar a cabeça. Para isso, ativa as costas, gerando uma ação em extensão fundamental para sustentar o peso da cabeça contra a gravidade. Rastejar, engatinhar e, finalmente, ficar de pé são etapas dessa construção da capacidade extensora.
O ser humano é o animal que mais tempo leva para alcançar a postura ereta. Precisamos nos organizar sobre dois pontos de apoio. Essa capacidade extensora não é apenas postural. Ela é estrutural. Os principais órgãos estão localizados no tronco e dependem de um alinhamento adequado em relação à gravidade para funcionar com eficiência.

No entanto, o estilo de vida contemporâneo favorece excessivamente a flexão. Passamos horas sentados, inclinados sobre celulares, computadores, bicicletas ou atividades de trabalho. Esse predomínio flexor reaparece na adolescência, se consolida na vida adulta e se acentua no envelhecimento, comprometendo a eficiência extensora e, consequentemente, a funcionalidade.
A proposta educativa Menegatti busca preservar e desenvolver essa capacidade extensora ao longo da vida, equilibrando as ações dentro da dinâmica flexão-extensão.
Até mesmo atividades amplamente recomendadas, como a caminhada, precisam de atenção. Muitas pessoas caminham com o tronco inclinado à frente, reforçando o padrão flexor e gerando sobrecarga lombar. A consequência costuma ser dor e, muitas vezes, abandono da prática. Uma caminhada eficiente exige organização. Exige perceber como estamos lidando com a gravidade a cada passo. Pequenos ajustes fazem diferença no longo prazo.
Manter viva a capacidade extensora é sustentar organização, funcionalidade e autonomia ao longo da vida.
Seguimos aprofundando esses aspectos nos próximos textos. Para saber mais sobre este assunto acesse nosso o episódio "Gravidade: o que te sustenta?" no podcast do Menegatti Digital - doses de conhecimento.
SEGUIMOS JUNTOS.










